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O que foi aquele 1º episódio da 5ª temporada de Black Mirror?

Alerta: vai ter spoilers sim, porque sem eles vai ficar difícil explicar o melhor desse episódio Black Mirror! Então, se você ainda não viu, corre pra Netflix e assista antes de ler esse texto!

Black Mirror é um seriado britânico que tem como tema a tecnologia e como ela pode atingir nossas vidas.

Tem 22 episódios independentes entre si, com duração entre 40 minutos e uma hora com assuntos e situações bem diferentões.

A maioria cai pro lado da tragédia anunciada, mas esse que vamos analisar aqui é o mais positivo  de todos até agora.

É ficção científica da pura, mas com um toque de verdade. Faz você pensar: “é, vai ter um dia que a gente via chegar nesse ponto aí mesmo”.

De certa forma, ficção tem um certo caráter meio vidente do que seria o futuro mesmo.

Quando criança, eu adorava ler Julio Verne. Me divertia fuçando as enciclopédias (sim, porque acreditem, só conheci a internet na faculdade!) para saber a distância de tempo de algumas histórias que ele criou e as que já tinham se tornado realidade.

Sem mais delongas, vamos ao Striking Vipers. O primeiro episódio da tão esperada 5ª temporada de Black Mirror, cuja a estreia, acreditem, passou batida aos meus olhos.

Eu estava lendo um livro e preparando um review de uma outra supersérie (que em breve vou publicar aqui). Veio a Paula e me avisou: “dá uma olhada lá, foi até rodado aqui em São Paulo”.

Pronto: larguei tudo o que eu tava fazendo e como de costume, não leio sinopses e nem críticas antes de assistir. Levei um susto!

Quanta Ousadia!

A história de  Striking Vipers é sobre dois amigos, Danny (Anthony Mackie)  e Karl (Yahya Abdul-Mateen II)  que adoram jogar vídeo game. Em específico, um jogo de luta, chamado  Striking Vipers parecido com Mortal Kombat ou Street Fighter.

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Como avatar, Danny sempre jogava com Lance (Ludi Lin) e Karl, às vezes, escolhia Roxette (Pom Klementieff).

O episódio começa quando eles ainda são jovens e colegas de quarto e depois pula 11 anos a frente.

No dia do aniversário de Danny, Karl dá a ele, de presente, a última versão do jogo preferido da dupla. É mais imersivo e realista do que eles jogavam no passado.

Danny está casado, tentando engravidar do segundo filho. Já Karl ainda está solteiro e pega várias novinhas, sem nunca conseguir engatar um relacionamento sério.

À noite, quando todos os convidados já foram embora e todos de sua casa já estão dormindo, lá vai o Danny experimentar o game e veja o que acontece:

Peço perdão por não ter encontrada uma versão legendada, mas fuçei e não achei.

Resumindo: nessa nova versão de  Striking Vipers, os jogadores sentem de verdade todas as sensações de seus avatares. Ou seja: tanto a dor quanto o prazer. 

Daí fiquei me perguntando: quem de nós não iria testar a mesma coisa? (Eu testaria, é claro!)

Mas a polêmica toda é porque um dos jogadores , o Karl que joga com a Roxette e é, até então, na vida real, hétero de carteirinha. Típico garanhão que pega todas.

E o Danny é casadão há mais de 10 anos e gosta do amigo como amigo, mas tem o maior tesão na Roxette, a avatar do amigo. Um tesão altamente correspondido por ela (ele) inclusive!

Pode isso produção? Pode, e já tá rolando aos montes por aí. Essa discussão já é mesmo um pouco antiga.

Me lembro na época dos chats, em que as pessoas sempre desconfiavam que as outras mentiam seu sexo nas conversas.

Anestesia ou banalização?

Depois de assistir e sentar pra fazer esse review, fui pesquisar a repercussão na internet. Quase nem achei alguém que tivesse falado sobre esse ponto tão central do episódio.

Pelo contrário: 80% das publicações criticavam a repetição do uso de realidade virtual já visto em outros episódios da série. Além de classificar o roteiro como ‘muito raso’.

Então fiquei meio absurdada com a reação da geral. Gente, o assunto é tão atual e questionador que ninguém tá percebendo isso, ou não tá muito afim de falar sobre isso?

Por mais de 50 minutos você fica numa angustia só, se colocando no papel dos caras e tentando achar uma solução. Até um encontro real os dois tentam na história pra saber se bate o tesão que dá dentro do jogo.

Lembro que quando eu estudei Educação Sexual em 2005, havia um livro na bibliografia chamado os “11 sexos” de Ronaldo Pamplona da Costa, da qual sou fã, pelo pioneirismo.

Lá estava catalogado 11 possibilidades de combinação dos seres humanos entre, sexo,  gênero, identidade de gênero e orientação sexual. (Saca que são coisas bem diferentes né?).

Se não saca, saca agora:

  • Sexo: configurado pela genitália ( macho, fêmea ou intersexual, o que antigamente ela nomeado como hermafrodita ou ainda com genitália ausente).
  • Gênero: termo utilizado para designar a construção social do sexo biológico.
  • Identidade de Gênero: como a pessoa se identifica ( se sente como homem, se sente como mulher, ou os dois, ou ora um ou ora outro, e que pode ser independente do sexo biológico que ela tenha).
  • Orientação Sexual ( se sente desejo pelo sexo oposto, ou pelo mesmo sexo, ou por ambos os sexos).

Mas isso foi antes de nascer e ser bem aceitas as figuras do ser não-binário e do cis-gênero. Conceitos recentes da sexologia.

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No episódio, temos dois homens (machos), com orientação sexual hétero, que se identificam e se sentem como homens na vida real. 

No jogo, um deles, o Danny permanece homem que deseja uma mulher, mas que ele sabe ter um homem por trás, o seu melhor amigo. Que por sinal, no jogo, é mulher, que deseja um homem que é seu amigo. E ainda diz que “o orgasmo feminino é outra coisa, muito melhor e indescritível em relação ao orgasmo masculino”.

Ai você pode estar pensando: ah tá, então é só putaria dos dois. Né não! Porque o Karl finalmente encontrou seu relacionamento que tanto procurava nesse jogo. Ele ama o amigo.

É amor, sexo ou só amizade?

Estaria então o roteirista questionando o gênero, ou seja, as obrigações que cada gênero histórico (homem e mulher) tem que carregar socialmente, ao propor um ambiente virtual, seguro, onde os personagens poderiam se soltar e serem quem quiserem?

Quem responde é o diretor em uma entrevista que peguei no CanalTech “Eles não têm muita certeza de quem eles são de uma certa maneira e do que eles significam um para outro, e como eles expressam isso, e é uma forma de se comunicarem”, diz.

Então me parece que a questão central de  Striking Vipers é mais a percepção do que seria amor, desejo e fantasia, independente do gênero.

Ou seja: não é porque você transa com seu amigo em um jogo virtual chegando a travar um relacionamento contínuo por ali que você é, necessariamente, gay. Isso também não precisa ser 100% erótico. Pode ser 80% amor ( até amor não erótico) e 20% tesão.

Transar (quase) de mentirinha com uma pessoa em que você confia e que te conhece há muito tempo pode ser libertador, reconfortante e emocionante.

Mesmo que nesse ambiente, você possa ter um outro corpo, de outro sexo, gênero e orientação sexual. Até porque é puramente virtual. O que você quer é sentir uma emoção, ou quem sabe até afeto.

No começo do episódio mesmo, a gente já tem uma pista: o casal Danny e Theo (Nicole Beharie) “fingem” que estão se conhecendo pela primeira vez no bar.

Ao longo da história, Theo passa pela mesma situação só que com outro cara desconhecido. Daí a gente pode ver a deixa do roteirista. A fantasia também é a pimenta de qualquer relacionamento.

Que inclusive, amarrou todas as pontas com muita responsabilidade. Colocou um diálogo superfranco entre o casal sobre os rumos do relacionamento e o acordo ao final para deixar todos os personagens com um final feliz.

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Inclusive para os avatares do game, estrelados pelo casal de atores de origem asiática que, confesso, me deixaram sem ar. É que eu tenho uma quedinha leve por orientais, quem me conhece sabe 😉

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Autor Julianna Santos

Relações Públicas, atuante em assessoria de imprensa e gestão de conteúdo para internet. Pós graduada em Educação Sexual pelo ISEXP – Instituto Brasileiro de Sexualidade e Medicina Psicossomática da Faculdade de Medicina do ABC, atendeu a várias empresas e profissionais do ramo erótico de 2002 até atualidade, estando inclusive a frente da sala de imprensa da Erótika Fair de 2002 a 2010. Também é certificada em Inbound Marketing pelo HubSopt Academy.

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