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Amizade Dolorida: a gente quer mais!

Amizade Dolorida, o novo seriado da Netflix traz o BDSM como temática, tem apenas 7 episódios com duração máxima de 18 minutos cada um. Como não ver, como não gostar e como não querer mais?

Para os amantes do streaming tipo eu, Amizade Dolorida é uma vertigem. Não perde tempo com dramas, vai direto ao ponto, é impactante para quem não tem muita informação sobre BDSM, mas traça uma linha muito sutil sobre a história e os desafios da dupla de protagonistas de forma única e simples.

Tão simples, que você chega a pensar sobre o diretor ” Ah não, esse cara tá tirando uma com a minha cara, é serio isso?” 

O enredo começa com uma dominatrix profissional, a Senhora May  (Zoe Levin) que convida seu amigo gay Pete (Brendan Scannell) para fazer sua segurança e dar assistência nas cenas com seus clientes.

Até aí tudo bem. E quando a Paula Aguiar, muito animada com o meu review de SexEducation me sugeriu um review sobre essa série eu pensei: ” af, aquela série toda colorida que traz o povo vestido de vinil com dois jovens com cara de otários do colegial?” (veja como é importante as fotos para divulgarem um seriado).

Eu tava achando que era uma mais uma comédia ousada pós adolescente usando de esteriótipos pra se dar bem, mas não. O buraco é mais embaixo, pegadinha da Netflix.

Amizade Dolorida nem de levinho dói assistir

Para quem é baunilha, parecia ser o seguinte recado “vem assistir que você vai rir muito”. Para quem já é do babado, já era meio ” vish a gente fez um lance aqui bem diferentão, não vai dar sua opinião?”.

Pois bem: eu como boa baunilha que sou, só cai nessa armadilha por indicação e achei tudo incrível!

Matei tudo em uma noite só, até porque, somando todos os episódios dessa primeira temporada, dava cerca de 2 horas, a duração de um filme.

Daí já fiquei meio provocada: como assim? Isso quer dizer alguma coisa, porque é tudo muito rápido, muito direto e simples? Tem coisa aí.

Como isso aqui é apenas um review, vou dar minha humilde opinião: acho que o diretor quis mostrar leveza onde a maioria das pessoas vê peso. O que é diferente nem sempre agrada os olhos, mas se você capta esse olhar nos primeiros 10 segundos, já é uma grande vitória.

Das 10 melhores críticas que li, 4 afirmaram que a ideia do roteiro é inspirada em fatos da vida do próprio diretor Rightor Doyle.

E aí fiquei mais atiçada ainda porque tô curiosa até agora em saber em que lugar da trama essa inspiração deu vida. Foi na dominarix, no seu amigo assistente gay, no room mate tarado, no cliente que adora o golden shower, no escravinho que mora na cozinha da Senhora May? Ou no melhor de todos: no cara louco por pinguins?

O diferente é mais cabeludo do que você percebe

Fato é que Amizade Dolorida é como a maioria das festas fetichistas que já frequentei:  mostra o mundo BDSM sem muitas romantizações. Faz parecer que é mais natural do que a gente imagina.

Basta estar no lugar certo e na hora certa. Porque não é algo exprimível na vida social, mas tá lá nos dark roons, nos dangeons, ou mesmo na sua cama e você ainda nem sabe.

E não tem problema em “não saber” ou “saber”. Essa não é a questão central do seriado quando você já avança em alguns episódios.

Pelo contrário: como a protagonista Senhora May ou (Tiff para os mais íntimos) é também estudante de psiquiatria, Amizade Dolorida coloca o BDSM como uma libertação da vergonha para quem adepto e até mesmo de quem não é.

(E de forma tão rápida que você nem sente o picão!)

Uma mensagem que foi se graduando pelos episódios curtos e despretenciosos até chegar ao se clímax é: “o que te impede de fazer algo que realmente queira fazer nos tempos de hoje”?

Sim, essa é a grande sacada. O que você vai ver em Amizade Colorida é algo mais profundo que cenas de fetiche e de sexo,você vai ver os desafios do empoderamento feminino por trás da armadura da Senhora May.

Sex Education + Amizade Dolorida

Quem diria, né? A Tiff de Amizade Dolorida pegando dicas com o Otis de Sex Education – o meu terapeuta sexual favorito. Olha esse crossover!

Posted by Netflix on Sunday, April 28, 2019

Assim como o estranhamento de um gay pelo mundo BDSM e como o fato  dele transitar por esse mundo, mesmo só como assistente de uma dominatrix, o lança na vida de uma vez. 

Pete perde seus medos e receios e conquista um amor e seu palco de stand-up. Pode isso tudo em menos de 2 horas produção? Pode!

Mas mesmo assim fiquei meio insegura, visto que a encomenda desse review veio com um sinal de alerta “olha tem  muita gente do meio BDSM que não tá gostando muito dessa história, viu”?

Então, a gente foi ouvir a opinião de nada menos e nada mais  que uma dominatrix, a Madame duBa que me mostrou tanta leveza em seu depoimento quanto a série. E daí aliviei.

Veja abaixo nossa entrevista com  Madame duBa* sobre Amizade Dolorida:

M.E.: Você assistiu ao seriado Amizade Dolorida? Acha que a produção transmitiu bem a mensagem do BDSM?

Madame DubaM.D.: Assisti! Amei! Não é exatamente o que é o BDSM, mas para um primeiro contato de baunilha , é bom. Usaram bastante humor, talvez seja por isso que alguns não gostaram. Mas como  um approach para o público baunilha é um bom começo, na minha opinião. Acho importante quebrar preconceitos.

M.E.: Teve alguma situação na série pela qual você já passou como dominatrix? (que você possa contar, é claro).

M.D.: Vou relatar uma que nunca passei: nunca me vesti de pinguim! rs

M.E.: Como se chama esse fetiche?

M.D.: Penguisexual/fetiche por pinguim. Ali juntou restling – que é a luta corporal.

*Madame duBa entrou no mundo fetichista por curiosidade e nunca mais saiu. Desde então pesquisa apaixonadamente o assunto e fala de sexo sem complicação, sem preconceito e com muito conhecimento para informar e desmistificar.

Agora que adoramos essa primeira temporada relâmpago de Amizade Dolorida, quando será a próxima? Estamos ansiosos pela próxima chibatada!

Autor Julianna Santos

Relações Públicas, atuante em assessoria de imprensa e gestão de conteúdo para internet. Pós graduada em Educação Sexual pelo ISEXP – Instituto Brasileiro de Sexualidade e Medicina Psicossomática da Faculdade de Medicina do ABC, atendeu a várias empresas e profissionais do ramo erótico de 2002 até atualidade, estando inclusive a frente da sala de imprensa da Erótika Fair de 2002 a 2010. Também é certificada em Inbound Marketing pelo HubSopt Academy.

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