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O que é parafilia, fetiche e fantasia na fila do BDSM

O termo BDSM você já ouviu ou leu em algum lugar, com certeza, e junto a ele permeia em sua mente uma série de mitos e preconceitos. Bem, ao menos isso é o que se espera de todos que vivem nessa sociedade brasileira que sabe pouco de sexualidade, pois não?! Se você não tem preconceitos, já é meio caminho andado, mas mesmo assim é necessário saber o que é parafilia e o que isso significa, justo porque o BDSM engloba práticas parafílicas e você vai usar este bom argumento para evitar constrangimentos ou comentários pejorativos e defender com unhas e dentes a sua essência sem medo de ser feliz e totalmente entregue, ok? Se você desejar adentrar a este estilo de vida, obviamente. Risos.

Parafilia vem do grego “παρά”, que significa “para” no sentido de alternativo ou “fora de” sob algum contexto ou “lado a lado”; e φιλία, que é “phlia”, ou seja, “amor”. Juntando os termos, significa forma de amor paralela às quais estamos acostumados.

Parafilia é um termo que designa um padrão de comportamento sexual no qual, em geral, a fonte predominante de prazer não se encontra no sexo genital, ou seja, na penetração, na cópula, no in out ou como prefira chamar, mas sim em outras atividades fantasiosas de dominação e poder ou sadismo e masoquismo – simplesmente fantasia –, por exemplo, ou com foco em algum objeto ou parte do corpo fora da área genital – fetiche. São considerados também parafilias os padrões de comportamento em que a alternativa não se encontra no ato e sim num objeto do desejo sexual específico, ou seja, no tipo de parceria – submisso, escravo, bottom e etc.

Em outras palavras, pode-se entender também que a parafilia está no campo da fantasia onde você pode ser o que quiser, praticar o que quiser e com quem quiser e tudo isso vai ficar entre quatro paredes dentro de uma cena que você pode acessar a qualquer momento e sempre que desejar relaxar da vida real – desde que haja consensualidade de todas as partes envolvidas. Aliás, vamos combinar uma coisa aqui? Quando falarmos em “vida real” estamos nos referindo a nossa vida (e, para muitos “vidinha”) normofílica, ou seja, a rotina normal de trabalhar, estudar, nos relacionarmos, ter carreira profissional, família, filhos e etc. E, quando falarmos em “cena”, estamos nos referindo a vida dentro do Universo BDSM e de fetiches, ok? Isso vai facilitar muito a nossa comunicação. E, por falar em fetiches, estes se referem a toda prática sexual onde o objeto de desejo e excitação está em alguma parte do corpo não genital – pés, cabelos, cotovelos e etc. – ou em algum objeto – roupas de couro, salto alto, calcinhas e etc. Já comentei isso acima, mas não custa nada repetir.

Resumindo, toda parafilia se refere a uma fantasia sexual não coital ou fetiche. Todo fetiche é uma fantasia parafílica, mas nem toda fantasia é fetiche e mais, nem tudo no Universo BDSM é fetiche, mas tudo no BDSM é parafilia. Por exemplo, há o fetiche com pés conhecido como podolatria e há a prática de dominação e submissão que é apenas uma fantasia parafílica visto que o objeto de desejo não está numa parte do corpo genital ou objeto e sim no poder. As diferenças são muito sutis e no final das contas, o que importa mesmo é ter prazer de forma consensual e ser feliz. E o assunto continua…

Há os que vivem o BDMS full time, ou seja, o tempo todo ou, como os praticantes falam “24/7” que é 24 horas por dia durante os sete dias por semana. No início, pode parecer loucura, mas ao se aprofundar no tema, você vai ver que é possível transformar a cena na sua vida real por longos períodos de tempo.

Outra coisa super importante que preciso deixar bem claro aqui: o BDSM e práticas fetichistas em geral encontram-se no campo da fantasia, logo, não dizem quase nada sobre você – comportamento, personalidade, relacionamentos e ideologias socioculturais –, necessariamente. Por exemplo, um Dominador fora de cena não passa os dias a humilhar homens e mulheres, assim como uma dominadora ou Dominatrix também não bate em seus parceiros.

O fato de você estar aqui desejando saber mais sobre o Universo BDSM indica apenas a sua busca constante por expressar uma sexualidade da forma mais humana possível: a sua, que é individual e intransferível, ou seja, só você a vive do seu jeito e ninguém tem nada com isso. Apenas você sabe o que sente, como sente e como gosta de sentir a fim de atender às suas pulsões. Contudo, esse desejo direcionado ao seu comportamento sexual, muitas vezes é mal interpretado justo por não ser “normal” e até considerado “imoral”. Aff.  Eu detesto estes termos. E esse julgamento de valor faz com que os fetichistas, os submissos e Dominadores do BDSM se sintam frustrados, desconfortáveis e angustiados, tendo de esconder suas essências pelos cantos para não serem descobertos. E este é mais um motivo pelo qual eu, Marianna Kiss, decidi defender a causa e desconstruir toda a parte mal interpretada, mesmo não sendo praticante do meio. Aliás, esse foi o meu contrato assinado quando me “casei” profissionalmente com a ciência. Aqui, é ela quem domina e norteia a minha pesquisa e eu amo (será que isso é uma satisfação sexual? Deixo para a sua imaginação responder).

Ficou confuso (a) com tanta informação? Calma, pois ao longo desta coluna você vai saber tanto sobre o assunto quanto eu, além de outros mais relacionados à sexualidade e ao poder feminino… E sabe o que todos esses parágrafos significam? Que você não precisa ter medo de experimentar o que deseja ou tirar dúvidas comigo em sessões de consultoria ou terapêuticas, porque praticar isso ou aquilo quer dizer apenas que você é cheio (a) de imaginação e este é um dos preceitos para ser “bom de cama” e que eu prefiro dizer “bom sexualmente” para ampliar os horizontes sexuais e não os limitar ao sexo tradicional como já conhecemos. Agora se, você que já é adepto (a) das práticas parafílicas e coloca na vida real o que vivencia na sua cena, nada contra desde que não desrespeite ou machuque ninguém, contudo, de uma forma geral não é uma tendência… Bem, ao menos é o que afirmam os psicólogos e especialistas que estudei até hoje.

Só um adendo para finalizar o texto que eu acho importantíssimo citar agora: se você sentir que é um Dominador ou Dominatrix e escolher adentrar a esse estilo de vida vivenciando toda a sua essência, vai perceber que sua vidinha baunilha não passava de um belo fetiche. Risos.

Até a próxima leitura.

Um beijo empoderado e cheio de dopamina,

Marianna Kiss

Autor Marianna Kiss

Marianna Kiss é Sexóloga, Terapeuta Sexual e Tântrica Taoísta, professora de sexualidade na Formação em Sexcoach Oficial. Em sua coluna DONA DO PRÓPRIO PODER ela fala sobre a saúde íntima e sexualidade da mulher.

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