Liberdade pra quem?

À beira dos 30 anos, finalmente comecei a me amar de verdade.

Reconheci a mulher que sou através das minhas merecidas marcas de expressão, causadas não apenas pela inevitável queda de produção de colágeno, mas principalmente pela abundância de sorrisos, “eitas” e “vishes” que a vida me proporcionou até agora.

É claro que, a cada clique, enxergamos o tempo com mais clareza, mas quando estamos rodeadas pelas influências certas, somos capazes de abraçar com orgulho essa jornada de envelhecimento e tudo o que ela traz consigo. Um espaço que nos foi negado por tanto tempo.

Nesse lugar, somos privilegiadas a cada ciclo e sorte daqueles que têm a coragem de acompanhar a força de uma mulher confiante, bem resolvida e plenamente satisfeita em sua sexualidade principalmente.

Fico nauseada com a quantidade de fotos que expõem a infidelidade constante de um jogador de futebol que parece, à primeira vista, ser o típico “hétero top mete fofo”.

Aproveitando esse gancho, não deveria ser, no mínimo, questionável o fato de os homens terem a permissão natural para desfrutar de relações sexuais livres enquanto nós, mulheres, somos pressionadas a parecermos santas?

Anitta, uma estrela aclamada nacional e internacionalmente, mas o que domina os holofotes são seus relacionamentos. Paola Oliveira: atriz, fisioterapeuta e musa de bateria de escola de samba, tem sua própria história, mas os olhares se voltam para a celulite e a maternidade compulsória.

Débora Secco, Fernanda Lima, Angélica, Iza, Luísa, Cléo, Fepa – todas abordam o tema do sexo como algo absolutamente natural, como deveria ser, mas sempre que soltam um comentário, suas carreiras são postas de lado e se tornam alvo de críticas conservadoras que ignoram o peso que todas nos carregamos em nos ombros.

Confesso que tenho preguiça de discutir a guerra dos sexos, mas há questões que precisam ser abordadas para que ocorra uma mudança significativa na forma como nos relacionamos e somos percebidas.

Enquanto os homens são enaltecidos pelo charme dos cabelos grisalhos, as mulheres são rotuladas como desleixadas. Os solteirões cobiçados, enquanto as mulheres solteiras são vistas como “danificadas”.

A sugestão de um ménage à trois é considerada natural para um homem, pois foi estigmatizada como um fetiche exclusivamente masculino.

Está certo isso pleno 2023? Francamente, não posso mudar o mundo, mas posso iniciar um pequeno movimento.

Amor, se você estiver lendo isso: Que tal discutirmos o ménage hoje?

Ih…falei

Autor Maísa Miranda

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