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Coletor menstrual sem traumas

Nunca ouviu falar? Já experimentou e não gostou? Nunca teve coragem de usar porque não entende como funciona? Ganhou um, usou, vazou e descartou? Não tentou novamente por achar que o coletor é caro?

Eu já passei por todas essas fases e, por incrível que pareça eu tinha um super preconceito quanto ao uso do coletor, embora trabalhasse com sexualidade feminina há mais de 13 anos.

Até que, durante a minha formação como Sexóloga, assisti uma aula com a terapeuta sexual Thais Plaza e ela me deu um show de reconstrução sobre o assunto. Primeiro eu vou te dar todas as dicas passadas por ela e em seguida mostrarei o passo a passo de como usá-lo. E, caso você ainda tenha receio, medo ou nojinho do seu próprio sangue, não hesite em me procurar, combinado?

O coletor menstrual é um produto de silicone medicinal (totalmente apropriado e não alergênico), em formato de taça, usado na vagina com a função de recolher o fluxo menstrual.

Opa! Você sempre conheceu essa função dos absorventes de algodão, né? Que criaram um monte de incômodos a sua vida toda… Eu sei, eu sei. Contudo, ao contrário dos absorventes ou tampões internos convencionais, o coletor não absorve o sangue e sim o retém e qual são as vantagens disso? Bem, você terá de me acompanhar até o final desse post para conferir, porque são muitas.

Antes de mais nada, faça as pazes com a sua menstruação. Ela é uma importante fase do seu ciclo menstrual e indica que está tudo em ordem e que você não está grávida. Eu já passei por fases de esperar ansiosamente por ela e outras em que eu não queria que ela viesse de jeito algum justo porque eu queria engravidar. Se sua menstruação chega, no tempo certinho e sem dores, levante às mãos para o céu. Mas, se ela vier junto com cólicas fortes ou outros incômodos, procure seu ginecologista. Eu, nunca senti nada além da TPM de sempre. Sim! Eu sofro com TPM, mas ela é tema para outro post. Risos.

A menstruação nada mais é do que a descamação das paredes internas do seu útero, mais especificamente o endométrio, quando o óvulo da vez não foi fecundado e ela vem uma vez por mês. Se em algum momento da sua vida você ouviu que esse sangue é algo sujo ou que deixa a mulher impura e intocável, dentre outros mitos… Desencane, pois ela nada mais é do que uma simples reação fisiológica do seu corpo, combinado?! E, ao contrário da urina e fezes, esse sangue é apenas sangue e está bem longe de ser um tipo de excremento que contém bactérias nocivas à saúde. Portanto, ele não é sujo e nem faz mal a você caso o toque.

Outro fator que nos assusta muito é que achamos que o nosso sangue menstrual tem forte odor ou fede, na linguagem popular. Não! Ele não tem odor, acredite. Ou melhor, tem, mas é um cheiro de ferro. Aposto que você já cortou o dedo e cheirou o sangue só para ver como era, pois bem… É aquele odor.

Aquele cheirinho desagradável que sentimos é por conta do contato do sangue com o algodão dos absorventes que usamos e com o ar que, além do mau odor, também, facilita a proliferação de bactérias. Assim que você experimentar o coletor pela primeira vez vai perceber que não tem cheiro algum… O de ferro é pouco perceptível.

Fez as pazes com a dita cuja? Boa!!! Essa é a minha diva. O segundo passo é você ser muito íntima da sua vulva e vagina, ou seja, não ter medo de tocá-las e conhecer muito bem a sua anatomia genital. Se a mulher se masturba é mais fácil. Mas, se ela não conhece sua própria anatomia e acha que sua vagina é muito apertada para o tamanho do coletor, pronto! Já cria um bloqueio. Opa! Você está com dificuldades nessa parte? Então pule essa parte, continue lendo o post e depois me procure para trabalharmos essa intimidade, combinado?

O passo seguinte é desconstruir o medo de que o coletor vaza. Ele não vaza e é agora que você vai argumentar “mas, Kiss, eu coloquei o coletor igualzinho às instruções de uso e vazou”. Concordo! Também passei por isso na primeira e única vez que o experimentei e daí me bloqueei. Que bobinha eu era. Não entendia que cada mulher tem a sua própria anatomia e seu jeitinho único e mais confortável para colocar o próprio coletor, mesmo que as instruções sejam as mesmas para todas nós. Não há como as fábricas de coletores escreveram um manual específico para cada uma de nós, então eles nos passam o jeito mais comum e somos nós que temos de nos adaptar ao que é mais confortável, seja no jeitinho de dobrá-lo, seja ao escolher o melhor tamanho. E qual é o segredo dessa parte? Treino. Treino. E treino. A gente só pega o jeito treinando e você pode (e deve) praticar antes de menstruar.

Vou falar algo agora e espero que você não se assuste.

Você pode argumentar que seu fluxo sanguíneo é absurdamente forte, só que, em média, a gente produz até 80 ml de menstruação por vez e o coletor tem em média 25 ml. Levando em consideração que você terá de trocá-lo a cada 12 horas, que é o tempo máximo de uso, não dá para encher o coletor nesse intervalo de tempo mesmo que você tenha um fluxo forte. Ou, se tem, você pode realizar a troca antes, de oito em oito horas, 10 em 10 e por aí vai. Escolha o intervalo que te deixa mais segura, ok?! Essa ideia de fluxo forte, na verdade, é uma impressão já que, até então, só temos a referência desse fluxo nos absorventes convencionais. Faça um teste… experimente usá-lo e após 12 horas retire-o e jogue o sangue em cima de um absorvente externo de algodão… você vai perceber que não é tanto sangue assim para um dia só, sem contar que é aconselhável a trocar o absorvente de algodão a cada quatro horas no máximo.

Outro trauma que eu criei pra mim e aposto que você fez o mesmo foi experimentar o bendito bem na hora que a que menstruação chega. Se você fizer isso vai ser sangue para tudo quanto é canto e vai desistir logo de cara (foi o que aconteceu comigo). Coloque-o um pouco antes, quando você tem o seu ciclo controlado e ele é certinho, ou quando rola aquela “borrinha” marronzinha antes de chegar o sangue efetivamente. Pronto! Não vai ter mais trauma nem complicações ao usá-lo.

Um segredinho que aprendi com a Thais Plaza é usar um pouco de lubrificante nas bordas do coletor para que você o introduza com mais facilidade. Eu sempre fiz isso com o absorvente interno e dava certo. É preciso que você esteja calma e relaxada, bem como se estivesse num exame ginecológico ou introduzindo um absorvente interno. Muitas de nós ficam tensas de primeira e aí dói e/ou machuca e por isso desistem.

O local onde você vai iniciar sua saga de amor com o coletor é escolha sua, embora eu não indique que seja deitada na cama. O ideal é no banheiro, tanto para você introduzi-lo quando iniciar a menstruação, quanto para a troca. Ou agachada no sanitário ou no chuveiro, pois assim, se ele vazar durante a troca você estará num local de limpeza fácil e isso causa menos “traumas” também. Durante a troca, a limpeza dele só requer água, ok? Nada de sabão, mesmo porque ele vai pra sua vagina e ela é autolimpante. Há a recomendação que você o esterilize antes do primeiro uso com água quente e antes do uso seguinte (vou dar mais detalhes à frente).

A pontinha dele também é um fator de medo e dúvidas. Muitas mulheres pensam que aquela pontinha é como se fosse a cordinha de segurança do absorvente interno que vai ser puxada na hora da troca e deixam o coletor bem pertinho da entrada da vagina para que essa protuberância fique para fora, só que não! Fazendo isso, vaza e pior, vai ficar roçando na calcinha e incomodar. Outro bloqueio desnecessário! Essa pontinha é para que a mulher, após introduzido, empurre o coletor para o mais próximo do colo do útero. A pontinha do coletor serve também para você mexer, após a introdução e se certificar que ele está encaixado perfeitamente. E não pense que, na hora da troca, basta puxar essa pontinha como num cabo de guerra porque você vai perder para o formato do coletor, vai pressionar a vagina e com isso pode machucá-la, e vai espirrar sangue para tudo quanto é canto. Mais um bloqueio!

Sobre a maneira de dobrá-lo, eu vou te passar a mais comum e a que eu acho mais fácil e aplico pra mim (Tata Plaza me ensinou). A dobra U é a mais popular, mas você corre o risco de: achar que a borda, ainda que dobrada fica muito grande e desconfortável para que seja introduzida na vagina (bloqueio) e há o risco de não desdobrar (não se abrir como deveria) e, consequentemente, não fazendo a pressão necessária para que o coletor se encaixe perfeitamente provocando vazamento. Quando você tem a sensação de “deu vácuo” é porque você colocou corretamente. E a dobra tulipa, foi a que eu experimentei e amei.

Ela fica mais fechadinha que a U e assim, mais confortável para ser introduzida. Basta você colocar o dedo na borda e empurrá-la para dentro dele. O coletor fica em formato de uma tulipa, ou seja, uma flor fechadinha. Você vai perceber também que a borda fica em formato de tulipa, mas a base dele fica redondinha, daí vai me perguntar como vai entrar desse jeito e eu respondo: basta empurrar essa parte com um dedo e pum! Há uma pressão sobre o coletor e ele encaixa com mais perfeição ainda. Segue uma imagem com diferentes dobras, você pode pesquisar à vontade até se identificar com a sua predileta.

Não entendeu? Calma. Vou explicar o mesmo processo de outra forma. Enquanto você segura o coletor devidamente dobrado com uma das mãos e com os dedos da outra, separe os lábios vaginais e introduza o coletor na vagina seguindo a direção da coluna, isto é, como se se tratasse de um ângulo de 45º. Ao contrário do que vemos nas imagens que conhecemos do sistema reprodutor, o canal vaginal não fica a 90º no nosso assoalho pélvico. Uma vez lá dentro, solte o coletor com delicadeza e garanta que ele tenha ficado aberto e em boa posição tocando a borda do coletor. Ele não deve ficar em uma posição tão alta como os tampões perto do colo do útero, mas um pouco mais baixo, no centro do canal vaginal, para não deixar a pontinha do lado de fora provocando incômodo. Se você encontrar a sua dobra certa e o seu jeito de introduzi-lo, não vaza!

Maior dúvida: como retirar o coletor. Não adianta puxar a pontinha porque você vai se meter num tremendo cabo de guerra com ele. Junte os dedos polegar e anular na forma de pinça e pressione a base do coletor. Essa pressão vai tirar o vácuo necessário para ele ficar encaixado e daí, basta puxá-lo sem medo porque não vai doer, ok?! O que faz doer é o medo e a ansiedade que te dominam nessa hora, porque essas sensações tensionam a musculatura da sua vagina, se preciso for, me procure para uma terapia que eu tenho técnicas de relaxamento para evitar que passe por isso. Pode vazar um pouco se ele estiver cheio, mas não se preocupe com isso, porque eu já dei a dica do melhor local para a troca que é o seu banheiro e se o sangue escapulir fica fácil de limpá-lo.

Sobre os tamanhos… Em encontrei de 23ml a 30ml. E, dependendo da loja/farmácia/site, há a especificidade para mulheres com menos de 30 anos e sem filhos, para mulheres com mais de 30 anos e com filhos e para jovens de até 19 anos. Essa variável ocorre porque, de maneira geral, o número de mulheres acima dos 30 e que passaram por parto normal é maior e leva-se em conta a tonicidade do assoalho pélvico, o qual naturalmente diminui e perde elasticidade com a idade e devido à gestação. Contudo, você pode estar com 24 anos agora e já ter tido três partos normais e aí, o tamanho ideal de coletor para você será o de 28ml e não o de 25ml, por exemplo. Pode também estar com 36 e ter tido poucas relações sexuais com penetração e nunca ter tido filhos e o ideal para você seria o de 23ml. Ou ainda, pode ter 40 anos, com quatro partos normais, mas ser muito trabalhada no pompoarismo e ter a musculatura da vagina super malhada e optar pelo coletor de 25ml por ser mais confortável. Na prática, essa diferença de tamanho não é tão grande assim (apenas 3 mm no diâmetro entre eles) é apenas uma questão de ser mais confortável ou não. Primeira relação sexual, rompimento do hímen, intensidade de fluxo, prática de atividades físicas, dentre outras situações não interferem na escolha do tamanho.

Outras vantagens do uso do coletor:

Se você sobe pelas paredes de tesão quando está menstruada, mas evita porque o sangue vai sujar a cama, dentre outras coisas, com o coletor você vai poder fazer miséria recebendo aquela bela chupada no sexo oral. Olha que maravilha! Não vaza nem o cheiro de ferro do sangue;

A longo prazo, você vai fazer uma baita economia. Um coletor custa em média R$ 60,00 e ele dura 10 anos!!! Calcule quanto você gasta por mês em absorventes externo e interno de algodão e multiplique por 12 meses (um ano)… Agora, por 10. Viu?!

Ah! Você também contribui e muito para a diminuição da produção de lixo com os absorventes de algodão e com o uso de papel higiênico para limpar aquele sangue todo na hora de urinar;

Você é obrigada a tocar a própria genitália para introduzir o coletor, ou seja, isso é um incentivo e tanto para que invista no conhecimento sobre sua anatomia e sexualidade (e você está no blog da terapeuta certa para tal);

O uso do coletor evita a candidíase e a proliferação de bactérias (já citei anteriormente, mas não custa repetir) porque você não abafa a vulva e a vagina com o absorvente de algodão e o sangue menstrual não fica em contato com o ar;

O coletor é mais seguro na prática de esportes ou na praia… Eu já paguei o mico de ter a cordinha do absorvente interno escapulindo do biquini e ninguém merece;

Eu sempre fico com a virilha assada quando corro ou malho usando absorventes de algodão e você?

O esquecimento dele dentro da vagina provoca menos complicações do que o esquecimento do absorvente interno. Eu já esqueci ambos e o interno me provocou uma inflamação danada, justo por conta do algodão que é um produto perfeito para a proliferação de bactérias.

Obs: Minha única recomendação do que não fazer usando o coletor: sexo com penetração e coletor juntos não rola!!! Dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo e isso é Lei da Física. Mas se for com sexo oral, super rola e não atrapalha em nada.

Higienização:

Ferver antes do primeiro e do próximo uso apenas com água quente esterilizando-o por três a cinco minutos. Guardá-lo num saquinho de higpack ou em outro qualquer desde que também esteja higienizado. Não esquecê-lo no box para o próximo uso, porque locais úmidos são ideias para a proliferação de bactérias.

E, na dúvida, conte comigo porque eu sou a terapeuta sexual mais preparada para te atender. Kisses, Marianna Kiss.

Autor Marianna Kiss

Marianna Kiss é Sexóloga, Terapeuta Sexual e Tântrica Taoísta, professora de sexualidade na Formação em Sexcoach Oficial. Em sua coluna DONA DO PRÓPRIO PODER ela fala sobre a saúde íntima e sexualidade da mulher.

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