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Beijo muuuuito na boca em 2024

Por Marianna Kiss

“Um beijo é um segredo que se diz na boca e não no ouvido.” Jean Rostand

Diva linda, você achou mesmo que eu não ia falar sobre a prática mais deliciosa do sexo na nossa coluna Dona do Próprio Poder? Ah tá! Até parece que você não me conhece. O beijo na boca é um importante termômetro do encaixe e da continuidade do fogo da relação. Você já percebeu que casais que têm o sexo morno não se beijam mais na boca? E isso é inversamente proporcional no momento da conquista, né?! Parece até que as almas se perdem no roçar de língua e o tempo para como se aquele minuto não fosse acabar nunca. E o tesão que um bom beijo nos proporciona?! Você acredita que eu nunca me enganei… fui pra cama com os caras certos e tudo por conta do beijo na boca – que me dizia, sem palavras, tudo o que eu queria saber sobre eles. Risos.

Boca com boca, troca de saliva, roçar de línguas… Vixi… Quando eu tinha doze anos eu achava isso bizarro. Mas, hoje eu não vivo sem… Beijar na boca para mim é um ato de carinho e a intensidade dos beijos diz tudo o que você quer naquele momento. Você também gosta de beijar na boca? Sabe como tudo começou?

Se o beijo na boca veio da pré-história ou dos egípcios, ninguém desenhou ou documentou nadinha em cavernas ou pinturas em tecido. As primeiras referências que temos desse comungar das deusas vieram dos hindus no Oriente a aproximadamente 1200 a.C., no livro Satapatha, que compila textos sagrados em que se baseia o bramanismo: “Amo beber o vapor de seus lábios”. E, de forma mais sensual ainda, no Mahabarata, poema épico com mais de 200 mil versos, compilados a cerca de 1000 a.C., que descreve: “Pôs a sua boca em minha boca, fez um barulho e isso produziu em mim um prazer”. Uiiiiiii.

Tempos mais tarde, o indiano Kama Sutra mostrou uma visão mais amadurecida sobre o assunto com cerca de 200 momentos que detalharam a prática, a moral e a ética do beijo. Um verdadeiro manual para qualquer mortal e nele temos alguns exemplos de beijo como o “nominal” onde só se poderia tocar a boca do amante com os lábios; o “palpitante” que ensina a movimentar apenas o lábio inferior, e o de “toque” no qual a mulher está autorizada a passar a ponta da língua nos lábios do namorado. Hoje praticamos isso à vontade e sem o menor pudor dentro e fora do sexo. Adoro!

Continuando esta palhinha histórica… Na Roma Antiga, o beijo se dividiu em três versões: o osculumque significa amizade; o basiummais quente e sensual, mas que se limitava apenas ao toque de lábios entre homens e mulheres, e o savium que o poeta Ovídio definiu como “de língua, voluptuoso e vergonhoso”. Acho que este, na verdade, é brasileiro. Já para os gregos, o beijo tinha funções protocolares: beijava-se para selar um acordo e para demonstrar respeito, somente entre os homens, que fique bem claro! Os cidadãos de mesmo nível social encostavam os lábios. Se um deles era de uma classe inferior, o beijo era no rosto. E quando a diferença social era ainda maior, os lábios de um desciam aos pés do outro. Vixi. Nada higiênico, né?! Será que a podolatria surgiu daí?! Vai saber, né?!

Mas, a pior parte da história do beijo não se deu na Grécia e sim na Idade Média a partir do século IV. A Igreja Cristã acabou com a farra dos beijoqueiros, tornou o ato ilícito e perigoso e acusou o beijo de transmitir doenças do corpo e da alma. “Beijo com objetivo de fornicação é pecado mortal, mesmo que a fornicação não se consume”, dizia o édito de Sua Santidade. Qual é a graça de sexo sem beijo na boca?

Mas chegamos ao século XVII e o savium dos romanos voltou com força total. Hoje, o conhecemos como beijo francês. E o mais curioso é que na França, o beijo de língua ficou conhecido como beijo inglês. Dá pra entender?

Há ainda comunidades que ignoram o beijo, como por exemplo, as dos nossos indígenas. Eles lidam com naturalidade com a nudez, o sexo e outras formas de carinho, mas o beijo não faz sentido algum para eles. Mal sabem o quanto é bom.

No século XX, tudo virou festa… Era kissuno Japão e kiss nos Estados Unidos. Ah… E Kiss aqui no Brasil também… juro que sou representante fiel desta prática.

E agora, a pergunta que não quer calar… Por que, afinal, beijamos na boca? E, às vezes de um jeito louco e incontrolável e com aquela trocação de saliva toda… Ai… Me dá até um calor só de pensar. Bem, o nosso titio Charles Darwin disse que o beijo na boca não é inato nem instintivo para a humanidade. Já Otto Best, o pesquisador que mais se aprofundou no tema, disse que o ato de beijar carrega heranças culturais – simbolismo de afeto e intimidade –, e naturais, na alimentação boca-a-boca de mãe para filho praticada por povos primitivos.

Pelo sim e pelo não, beijar na boca é muito bom, saudável, movimenta 29 músculos faciais dos quais 17 estão na língua, demonstra carinho e alguns dizem para o que vieram: tesão e sexo. Risos. E ainda acelera os batimentos cardíacos que vão de 60 e a 150 por minuto, e os mais caprichados gastam cerca de 20 calorias. Sem contar que um beijo bem dado pode nos levar ao orgasmo sem penetração.

Uiiii… O importante mesmo é beijar muito desde que se tenha muita vontade. Essa é a dica desta coluna. E você?! Quer uma bela missão para 2024? Beijar muuuuuito na boca e ser feliz como nunca antes? Responda essa no meu Instagram @mariannakissoficial.

Autor Marianna Kiss

Marianna Kiss é Sexóloga, Terapeuta Sexual e Tântrica Taoísta, professora de sexualidade na Formação em Sexcoach Oficial. Em sua coluna DONA DO PRÓPRIO PODER ela fala sobre a saúde íntima e sexualidade da mulher.

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