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Abril Azul e o Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Muitos adultos têm descoberto o Transtorno do Espectro Autista de forma tardia, veja alguns sintomas, como é feito o diagnóstico e o tratamento, bem como a influência da síndrome na vida afetiva.

O dia 2 de abril foi instituído pela ONU em 2008 como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo e logo o mês de abril também recebeu a cor azul para estender as campanhas relativas ao assunto.

Quando se trata do autismo na fase adulta, informações divulgadas pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC) em 2020 revelam que a incidência dessa condição é cerca de 2,2% da população mundial.

No Brasil, embora seja desafiador encontrar dados e estatísticas gerais sobre o autismo, é possível estimar a existência de cerca de 4.5 milhões de pessoas com TEA no país, tomando como base os números fornecidos pelo CDC.

Por isso, hoje vamos trazer aqui a questão do diagnóstico do TEA na fase adulta que tem auxiliado a muitos portadores a entenderem vários conflitos e dificuldades que sempre encontraram em suas vidas, inclusive no que diz respeito aos relacionamentos afetivos.

O que é autismo?

O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição neurológica na qual o paciente apresenta mudanças no comportamento, dificuldade na hora de interagir com outras pessoas e alteração na fala e comunicação. Comumente, o diagnóstico é feito ainda cedo, entre os 12 e 24 meses de idade. 

Porém, pode acontecer do transtorno ser identificado tardiamente, na fase adulta, e novos caminhos devem ser traçados para entregar uma melhor qualidade de vida para a pessoa com autismo e seus familiares.

O diagnóstico do espectro autista é feito por profissionais especializados, como fonoaudiólogos, psiquiatras, psicólogos e neurologistas. Muitas vezes a percepção dos sintomas pode ser negligenciada – ocasionando a descoberta tardia. Crianças podem passar despercebidas na análise, levando à confirmação apenas na vida jovem ou adulta.

O que muitas vezes leva ao diagnóstico tardio é a presença do autismo em seu grau leve, ou seja, os pacientes conseguem estudar, trabalhar e interagir sem tratamentos específicos, mas ainda sentem desconforto.

“Alguns adultos já vieram com o diagnóstico desde cedo, ou outros só descobrem depois. Os sinais principais, no adulto TEA, leves e moderados, estão na linguagem não verbal e em algumas expressões. Eles têm dificuldade de entender metáforas, linguagens ambíguas, em ter empatia e demonstrar afeto. Também preferem trabalhar sozinhos, não gostam de sair da rotina e hiperfoco em interesses específicos”, explicou Giedra Marinho, psicóloga e professora do Centro Universitário Tiradentes (Unit Pernambuco).

Níveis do Autismo

O nível 1 do autismo em adultos é o leve, em que os pacientes vivem e trabalham de forma independente, e têm mais dificuldade em interação social, comunicação e relacionamentos em geral. 

No 2, moderado, a pessoa com espectro autista apresenta transtornos maiores na fala, com linguagem repetitiva, pouco contato visual e falta de foco. 

E no 3, grave, eles precisam de ajuda em várias atividades, já que eles têm maior dificuldade na fala, alimentação, higiene e na rotina em geral.

Giedra Marinho explica que o psicólogo vai trabalhar na identificação e melhoria dos comportamentos negativos, através da Análise do Comportamento Aplicado (ABA). “O ABA percebe os comportamentos disfuncionais e disruptivos que o adulto está apresentando, e através das técnicas, é possível que certos sintomas negativos cessem ou parem de acontecer”, salientou a professora.

Diagnóstico do TEA

O diagnóstico do espectro autista, seja em crianças ou adultos, é extremamente importante para a qualidade de vida e na forma de lidar com os sentimentos e o dia-a-dia. Profissionais precisam ser consultados a partir da identificação de sintomas, para que o tratamento correto seja iniciado, garantindo bem-estar para os pacientes e familiares.

“O diagnóstico precoce é muito importante para que aconteça a intervenção profissional, com terapia, fisioterapia, fonoaudiologia e psicopedagogia. Assim, se começa o trabalho logo cedo, com a possibilidade de controle e manejo de comportamentos não socialmente aceitos ou que causem desconforto para o paciente e a família, diminuindo e amenizando isso”, pontuou Giedra.

Diagnóstico de Autismo em Mulheres pode ser mais complexo

O autismo é um transtorno onde se tem características próprias e níveis de suporte. Nos níveis 2 e 3 de suporte às diferenças, as características do espectro são mais marcantes tanto em homens como em mulheres. Existe a dificuldade na comunicação, o prejuízo na socialização, além da preferência por rituais e rotinas rígidas. 

A grande dificuldade do diagnóstico e a maior diferença, entre homens e mulheres, se dá no nível 01, que é o autismo com menor necessidade de suporte; antigamente chamado de Síndrome de Asperger.

A diferença de diagnóstico entre homens e mulheres é que, nas mulheres, a dificuldade do diagnóstico é mais aparente. Geralmente as meninas são mais falantes, pode se encontrar pacientes mulheres que não tem dificuldade na construção da linguagem, mas pode se observar uma dificuldade na compreensão do que é dito, ou seja, na compreensão do discurso.

“Essas pacientes não conseguem compreender piadas de duplo sentido, metáforas. Elas não conseguem compreender e se inserir bem nos jogos sociais. Isso é muito visto principalmente na adolescência; inclusive essas meninas, quando sofrem bullying na escola, elas nem sabem que estão sofrendo bullying porque não conseguem entender a piada, não conseguem entender o motivo ou porque elas não são bem aceitas”, diz a Dra. Gesika Amorim, Mestre em Educação Médica, Pediatra pós graduada em Neurologia e Psiquiatria, com especialização em Tratamento Integral do Autismo, Saúde Mental e Neurodesenvolvimento.

O autismo de nível 01 é o que apresenta maior dificuldade de realizar o diagnóstico, principalmente em mulheres. As mulheres por si só, tem uma necessidade de agradar e de se sentirem acolhidas, e isso é inerente no sexo feminino.

“Eu costumo dizer que uma das características principais, o que chama mais atenção nessas mulheres dentro do espectro autista, é a capacidade de vestir várias máscaras para se sentir acolhida nos diferentes grupos sociais, nas diferentes tribos. Conversando com minhas adolescentes, descobri que se você tiver na escola tribos que falem, por exemplo, sobre música sertaneja, elas vão se esforçar ao máximo para serem aceitas naquele grupo. E se essa adolescente sai desse grupo e entra em um outro em que os indivíduos gostam de rock, ela vai mudar de personagem para ser aceita no novo grupo. Ela passa por diferentes grupos tentando ser aceita nessas diferentes características”, explica a Dra. Gesika Amorim.

E essa necessidade de ser aceita passa por uma maior probabilidade de envolvimentos abusivos. Essas mulheres têm dificuldade de serem assertivas nos relacionamentos e de dizerem não. Elas costumam se envolver em relacionamentos ruins, que acabam trazendo prejuízo. E essa necessidade de aceitação acaba levando essas mulheres a um esgotamento emocional e psíquico.

“É comum que essas mulheres passem pela vida inteira com muitos diagnósticos de transtornos psiquiátricos, quando na realidade o que se tem é uma mulher dentro do espectro autista, mas que não foi diagnosticada e não consegue se inserir socialmente, não consegue se entender e nem se aceitar como ela é, porque no fundo ela não sabe quem ela é. E ela é considerada depressiva, histérica, bipolar, Borderline, quando na realidade ela é autista, mas está tentando vestir essas diferentes fantasias para tentar se encontrar. Mas na verdade, ela não tem uma doença, mas uma condição que a faz tentar agir dentro de uma normalidade que não é a dela” ressalta a especialista.

Em setembro do ano passado, a atriz Letícia Sabatella revelou ter sido diagnosticada como portadora do Transtorno do Espectro Autista (TEA), em entrevista ao Fantástico, da TV Globo. O caso da atriz, que atualmente tem 52 anos, chamou atenção pela condição ter sido descoberta tardiamente. Porém, casos como o da atriz são mais comuns do que se imagina, como explica Filipe Colombini, psicólogo e CEO da Equipe AT. 

“Esse tipo de situação tem sido muito comum justamente pela evolução dos sistemas de avaliação diagnóstica e pelo maior conhecimento da população em torno do autismo”, conta ele. “Esses fatores combinados fazem com que muitas pessoas descubram o autismo somente na vida adulta”, completa. 

O sentimento descrito por Letícia Sabatella sobre o diagnóstico foi, conforme a atriz, de alívio e libertação. “Quem descobre tardiamente o autismo consegue entender diversas dificuldades que teve durante toda a vida e isso, muitas vezes, vem acompanhado por uma sensação de acolhimento, já que a pessoa pode finalmente buscar tratamento adequado e, até mesmo, grupos de apoio”, afirma Colombini. 

“Além disso, existe a perspectiva de um maior autoconhecimento, o que traz consolo, visto que essas pessoas podem ter recebido outros diagnósticos ao longo do tempo que não se encaixavam tanto, causando, até mesmo, diferentes graus de sofrimento e transtornos psiquiátricos relevantes”, afirma o psicólogo.

Foi somente após o diagnóstico de sua filha Clara, de 30 anos, que a atriz começou a desconfiar que algumas características suas também poderiam ser enquadradas dentro do Espectro Autista. “Muitas pessoas passam pela mesma situação de Letícia, que, ao conhecer melhor as características do transtorno, após a detecção do autismo em um filho, acabam enxergando em si alguns daqueles sinais e, com isso, decidem procurar ajuda profissional”, relata Colombini.

Outra questão que reforça o diagnóstico tardio é que, alguns dos sintomas clássicos do TEA são, muitas vezes, confundidos com traços de personalidade e são reforçados pelo mascaramento social, conforme explica Colombini. “Entre eles, vale destacar a dificuldade em  manter relações sociais e,  ainda, questões relacionadas à regulação emocional, além de tendência em manter hiperfocos e comportamentos repetitivos”, diz ele.

A demora do diagnóstico é porque, como já foi falado, na maioria das vezes essas mulheres, na infância, passam pelo TDAH, pelo TOD, pelo transtorno de ansiedade, pelo transtorno bipolar, depressão entre outros transtornos. E assim passam por diferentes diagnósticos, tomam inúmeros medicamentos e não conseguem se tratar. Para um diagnóstico assertivo, a pessoa precisa passar por um profissional especializado e com experiência em autismo.

A Dra. Gesika Amorim faz um alerta: “hoje se fala muito em autismo, porém, existem muitos pseudoespecialistas. É preciso buscar um profissional qualificado, passar por uma avaliação neuropsicológica com um neuropsicólogo com referência, de preferência com um psiquiatra. Autismo em adultos é um transtorno comportamental. Neurologistas pouco experientes em TEA podem não conseguir dar conta desse diagnóstico. Então procure um psiquiatra experiente, com referência, ele vai indicar uma neuropsicóloga e ela vai reiniciar uma testagem longa para esse diagnóstico ser bem fundamentado”.

Tratamento do TEA

Sobre o tratamento, após a avaliação neuropsicológica, se identifica os diagnósticos e as comorbidades para daí entender o que é passível de tratamento. O que é tratado no TEA são as comorbidades, não existe medicamento para o TEA. Então são tratadas a ansiedade, a depressão entre outros transtornos. Essas mulheres realmente têm comorbidades comportamentais, psiquiátricas, que precisam ser tratadas.

Cartilha gratuita promove aceitação e valorização

A campanha “Vozes Geniais”, criada pela healthtech Genial Care, especializada em cuidados com crianças autistas e suas famílias, está mobilizando a comunidade em torno do orgulho autista. “Nosso objetivo com a campanha Vozes Geniais é promover a aceitação, a valorização e a celebração da identidade autista, além de inspirar orgulho, autoconfiança e empoderamento, promovendo mais inclusão da diversidade no espectro”, explica a Líder de Comunidade da Genial Care, Gabriela Bandeira.

Como parte da campanha Vozes Geniais, que está acontecendo nas redes sociais da healthtech, a Genial Care lançou em 29 de junho do ano passado, durante o Mês do Orgulho Autista, a Cartilha gratuita “5 dicas Geniais de inclusão para pessoas autistas por pessoas autistas”. 

A cartilha foi criada em parceria com personalidades autistas, em uma construção conjunta para a amplificação dessas vozes, e você pode baixá-la aqui.

“Autismo não é uma doença, e nem existe cura para ‘sair do espectro’. Mas, ao contrário disso, existem muitas possibilidades de desenvolvimento, para que cada pessoa autista conquiste autonomia e independência – e orgulho – de acordo com suas singularidades”, finaliza a Líder de Comunidade da Genial Care, Gabriela Bandeira.

Autor Julianna Santos

Relações Públicas, atuante em assessoria de imprensa e gestão de conteúdo para internet. Pós graduada em Educação Sexual pelo ISEXP – Instituto Brasileiro de Sexualidade e Medicina Psicossomática da Faculdade de Medicina do ABC, atendeu a várias empresas e profissionais do ramo erótico de 2002 até atualidade, estando inclusive a frente da sala de imprensa da Erótika Fair de 2002 a 2010. Também é certificada em Inbound Marketing pelo HubSopt Academy.

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