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Instituto [SSEX BBOX] comemora 10 anos de existência com lançamento do Dossiê de Linguagem Neutra e Inclusiva

Como criadores e precursores da linguagem neutra no Brasil o Instituto [SSEX BBOX] – gênero e sexualidade fora da caixa, e a [DIVERSITY BBOX] – consultoria especializada para a equidade social e para a promoção da diversidade em corporações e instituições, lançam o Dossiê de Linguagem Neutra e Inclusiva com criadore de Pri Bertucci. O lançamento aconteceu em Portugal em cinco eventos em Lisboa e Porto, entre 25 de setembro e 4 de outubro, e no Brasil, está previsto para início de 2022.

Com o intuito de conscientizar a sociedade e tornar esse tema acessível a espaços e organizações pelo mundo, o lançamento internacional é realizado com parceria da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, OUT&EQUAL; principal organização do mundo ligada à equidade LGBTQ+ no trabalho, Núcleo NuPride da Universidade Nova Lisboa, Espaço Cultural Valsa, e Opus Diversidade, a mais antiga organização LGBTQIAP+ de Portugal, e com patrocínio oficial de Mattos Filho Advogados.

Também conta com o apoio de organizações parceiras: Transparente Consultoria, Queer as Funk, Mostra Internacional Drag King Queer, Dezanove, Queer Tropical, Casaqui, Casa Comum, Agralha, Umar, Ponto Inclusive, ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Trans e Intersexos) e Anistia Internacional de Braga.

O Dossiê de Linguagem Neutra e Inclusiva é inédito em língua portuguesa e aborda temas como:  acessibilidade, empatia, dialetos da comunidade LGBTQIAP+, binarismo gramatical, melhores práticas, aprendizados e relevância desta pauta para as escolas, como e o porquê de fazer indicação dos pronomes de gênero nas atividades, aulas e redes sociais e também acesso aos guias e manuais de sucesso.

Além de como pode incluir os pronomes nas redes sociais e nas biografias profissionais, gênero neutro em interfaces de voz —  problema de uso ou preconceito linguístico? História da linguagem neutra no Brasil, identidades de gêneros não binários: a diversidade na história mundial e história da linguagem neutra no Brasil

“A linguagem também muda a alta velocidade. A maneira correta de falar sobre as pessoas, suas identidades, gêneros, corpos e geografias estão em constante movimento. As terminologias contidas neste dossiê, mesmo que definidas com precisão podem ser transformadas, ressignificadas, substituídas ou até mesmo extintas. Portanto, sabemos que, ao escrever este documento, estamos criando algo instantaneamente datado. Ainda assim, o conhecimento contido nestas páginas é necessário e urgente: a linguagem neutra e inclusiva pode nos ajudar a ir além da binariedade e da polarização social que enfrentamos neste momento da história. A linguagem neutra e inclusiva não é apenas uma neolinguagem, mas sim, uma recuperação de linguagem.” Pri Bertucci cocriadore da linguagem Neutra e Inclusiva em Português.

Qual a necessidade de existir uma comunicação inclusiva?

Trechos do Dossiê de Linguagem Neutra e Inclusiva

“A comunicação verbal está sempre em movimento. Isso acontece porque a língua é viva e estamos em constante desenvolvimento, tal como todes nós. 

A comunicação é a ferramenta chave para entender e ser entendide. É essencial para estabelecer um ambiente seguro quando é utilizada como um instrumento para aprendermos a ouvir as nossas necessidades mais profundas, assim como as de outres.

Comunicar de forma inclusiva significa ter a consciência de que a sociedade – e, por consequência, o ambiente de trabalho – é composto por pessoas com diferentes características e identidades. Por isso, é importante que a comunicação inclua, valorize, respeite e acolha toda a diversidade inerente às nossas existências.

Mas a língua é um facto tão diário que assumimo-la como natural: são pouquíssimas às vezes em que questionamos o seu alcance, importância e significados. A ideia de naturalidade agarra-se, ainda, à ideia de normalidade. E é aí que mora o problema, uma vez que a comunicação normativa reforça as vantagens e os privilégios simbólicos que estruturam a nossa comunicação. 

Para o antropólogo polonês Edward Sapir, “falta apenas um momento de reflexão para nos convencermos de que a naturalidade da língua é uma impressão ilusória”.

A linguagem não é algo natural, mas sim uma constituição social e histórica. A língua varia de uma cultura para a outra, assim como a maneira de aprendê-la e ensiná-la. As palavras formam a nossa maneira de pensar, sentir e perceber a realidade, além de determinar o mundo que nos rodeiam, os valores imperantes na sociedade, as nossas diferenças e prioridades. Tudo isso pode ser modificado com a nossa comunicação.

Será a linguagem mais inclusiva um possível instrumento de transformação social, para além da binariedade e polarização social que enfrentamos neste momento da história?

Trata-se de valorizar e de estar ciente das diferentes maneiras pelas quais uma pessoa pode comunicar. Dessa forma, permitimos que essas pessoas façam e compreendam as suas escolhas, expressem sentimentos, necessidades e possam envolver-se com o mundo à sua volta.

A comunicação pode ser usada para definir e consolidar as nossas atitudes e percepções, além de voltar a padronizar os nossos sistemas de crença dentro de contextos sociais que, enquanto sociedade, incorporamos até agora. Muitas das crenças e ações que aprendemos nesses sistemas de crença não são, necessariamente, verdadeiras. À medida que nos tornamos mais conscientes disso, abre-se espaço para novas percepções e para mais possibilidades. E é isso que pode gerar grandes transformações pessoais e coletivas.

Modificar e atualizar a nossa linguagem é um movimento saudável, porque é através dessa nova linguagem que conseguimos interpretar os comportamentos que refletem o mundo no qual desejamos viver e trabalhar.”

“O que os nossos ancestrais nos dizem é que a linguagem usada para transmitir a vibração acústica secreta da linguagem é realmente onde está a ação. Importantes pesquisas científicas demonstram a conexão entre a linguagem e a nossa biologia, a forma como o nosso sistema nervoso reage à frequência emitida por cada palavra. As palavras que usamos para comunicarmos são mais que simples palavras: são conexões diretas com os neurónios do nosso cérebro.” afirma Bertucci

[DIVERSITY BBOX]

É uma consultoria especializada para a equidade social e para a promoção da diversidade em corporações e instituições, através de programas de consciencialização, formação e sensibilização para a comunicação, RH e negócios, estrategicamente combinados para promover a transformação corporativa em prol de uma sociedade mais justa, democrática e equânime. Desenvolve conteúdos em parceria como: ONU Brasil, Out & Equal e Rede Brasil do Pacto Global da ONU.

[SSEX BBOX]

É um instituto de justiça social que procura dar visibilidade às questões de gênero e sexualidade em várias partes do mundo: em São Paulo, São Francisco, Berlim, Barcelona e desde 2018 iniciou ações em Bogotá e Osaka. Em 2019, iniciou em Paris e em 2021 em Lisboa.

O projeto teve início em 2009 e foi lançado publicamente em 2011, a partir de um conjunto de web-documentários educativo, que explora a sexualidade, gênero e o universo LGBTQIAP+, a fim de promover uma mudança social assente nos princípios dos direitos humanos.

Pri Bertucci

Artista social, educadore e pesquisadore da área de diversidade há pelo menos duas décadas. Identifica-se como pessoa parda / não branca, transgênero/não binárie / gender queer. É CEO da [DIVERSITY BBOX] consultoria; fundadore do Instituto [SSEX BBOX], que inovou no tema de justiça social no Brasil; cocriadore do pronome de gênero neutro ILE/DILE e responsável pela adaptação de linguagem neutra na língua portuguesa. É fundadore e produtore executivo da Marcha do Orgulho Trans de São Paulo, o maior evento Trans da América Latina.

O pronome neutro [ILE DILE] está sendo usado no seriado “Sex Education”, após trabalho realizado com a Netflix com o Manifesto Ile e todes os materiais produzidos estão sendo reconhecidos pelo pioneirismo no tema na língua portuguesa. Tradução dos pronomes THEY/ THEM: ILE/DILE.  Também usado no desenho animado Ridley Jones que tem a adoção de linguagem neutra e ideologia de gênero para crianças em idade pré-escolar: https://pleno.news/entretenimento/tv/novo-desenho-infantil-promove-ideologia-de-genero-na-netflix.html

“Acredito que existe um meio caminho, o caminho do meio, que é à base de muitas filosofias ancestrais e que pode servir de referência. A nossa civilização é real, mas mutável. Também assim acontece às nossas línguas e conceitos, que evoluem com a nossa consciência. O mundo está em constante movimento – é caótico e emergente. O mundo não pode ser reduzido à nossa arrogância, seja pelo desejo do controle das massas ou pela liberdade e emancipação absoluta,” conclui Pri.


Depoimentos

“Imperdível leitura da consolidação do trabalho de Pri Bertucci que trouxe a adaptação da linguagem neutra pra português, e desenvolve importante e amplo trabalho de educação sobre o tema há quase uma década no Brasil”, Debora Gepp, especialista em diversidade, um dos principais nomes sobre DE&I corporativo no Brasil

“Inclusão é parte principal de qualquer agenda de desenvolvimento no mais amplo sentido da palavra. E a linguagem é o fundamental de quem somos como indivíduos e como sociedade, por isso, é tão importante que seja neutra e inclusiva, ainda mais em um país com um histórico tão grande de preconceito e machismo. E isso deve se expandir para a cultura empresarial. Ser do time, um jargão que o setor privado tem usado com frequência, não é somente ter um crachá, é ser reconhecida, reconhecido ou reconhecide como a pessoa é de fato. Por isso, o Dossiê de Linguagem Neutra e Inclusiva é mais do que fundamental, é mandatório”, Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU.

“Desenvolver a linguagem neutra e inclusiva numa sociedade como a nossa, generificada ( de gênero) e excludente, é um desafio monumental, porém, imprescindível. Os gêneros não serão abolidos, nem recriados, apenas pelos discurso. Da mesma maneira, não conseguiremos libertar os corpos de estereótipos ligados a ideias normativos sem passar pela linguagem, reconhecendo a pluralidade de identidades e formas de expressão, e indo além da superfície das palavras e do fetiche das siglas. O presente dossiê traduz esse tema e dialoga com a pesquisa sobre a história da linguagem neutra que tenho desenvolvido com Pri Bertucci”, Jaqueline Gomes de Jesus, docente do instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

“Tudo que é novo assusta! Assim foi no início dos trabalhos sobre o tema no Brasil conduzido por Pri Bertucci nas conferências internacionais [SSEX BBOX] nas quais participei de várias edições. E esse novo ainda assusta… Nossa sociedade é acomodada na convivência com o patriarcado. Quando o debate da linguagem neutra surgiu em meados de 2014 muita gente desacreditou da sua potência, mas não esperavam que tanta gente se adequasse não só por modismo, mas por ser acolhida pela estratégia. Não é para se sobrepor a outra linguagem de gênero e anti sexista já conquistada, e sim para somar ampliando o acolhimento linguístico. O manual chega em excelente momento pra história do movimento LGBTQIAP+”Symmy Larrat diretora executiva da ABGLT, uma das mais reconhecidas vozes da militância trans no Brasil.
 

“A linguagem neutra e inclusiva fornece à sociedade uma estrutura de conhecimento que muda a forma como conceituamos o mundo ao nosso redor. O Dossiê de Linguagem Neutra e Inclusiva é uma ferramenta poderosa de mudança de cultura, que nos ensina a cria espaço para todes nas nossas conversas e centrar a linguagem que é criada para comunidade, pela comunidade,” CV Viverito diretore associade de Iniciativas Globais da Out & Equal, principal organização do mundo ligada à equidade LGBTQ+ no trabalho

 “A linguagem neutra e inclusiva faz-me acreditar na construção de uma humanidade na qual a comunicação une em vez de separar, acolhe em vez de repelir e respeita em vez de agredir ou anular vidas”, Neon Cunha, mulher, negra, ameríndia e transgênera, questionadora da branquitude e cisgeneridade tóxicas. Uma das mais reconhecidas vozes da despatologização das identidades trans no Brasil.

 “A língua é dinâmica e seu mover-se deve contribuir para que mais pessoas sejam incluídas e consigam se comunicar. Resultado de pesquisa cuidadosa é um dossiê essencial’, Bel Santos Mayer – educadora social e coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC) e co-gestora da Rede de Bibliotecas Comunitárias LiteraSampa que promovem o direito humano à leitura, à literatura e à escrita.

“A linguagem é parte fundamental da individualidade, sendo o laço mais forte e basilar com o contexto sócio-histórico-cultural de cada indivíduo. A promoção de uma linguagem neutra e inclusiva, sobretudo em línguas latinas tão arraigadas à distinção de género como o português, é um vetor de mudança cultural necessária à promoção da inclusão de todo o espectro da individualidade. O Dossiê de Linguagem Neutra e Inclusiva cumpre de forma ímpar esse propósito”, Frederico Bastos Pinheiro Martins, Advogado sênior na Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados e entusiasta da Diversidade & Inclusão.

Dossiê de Linguagem Neutra e Inclusiva

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Autor Julianna Santos

Relações Públicas, atuante em assessoria de imprensa e gestão de conteúdo para internet. Pós graduada em Educação Sexual pelo ISEXP – Instituto Brasileiro de Sexualidade e Medicina Psicossomática da Faculdade de Medicina do ABC, atendeu a várias empresas e profissionais do ramo erótico de 2002 até atualidade, estando inclusive a frente da sala de imprensa da Erótika Fair de 2002 a 2010. Também é certificada em Inbound Marketing pelo HubSopt Academy.

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