Economia Prateada X Etarismo

Depois de Xuxa comemorar seus 60 anos podemos pensar que uma geração inteira de adultos nativos da liberdade sexual estão envelhecendo e muitos como ela de forma saudável dando exemplos para seus fãs mais jovens seguirem esse mesmo caminho. Uma tendência mundial é a economia prateada que privilegia produtos e campanhas de marketing para o público com mais de 50 anos. Por isso, quebre seus tabus em relação a idade, viva com prazer e aproveite essa oportunidade em seus negócios.

É só fazer as contas: quando a Xuxa tinha 20 anos, tanto a moda, quanto o cinema, a música e a cultura pop em geral valorizavam a sensualidade como um status quase natural de estilo de vida. Contemporânea de ícones como Madonna, Sharon Stone, Michael Jackson, Luisa Brunet, e outras musas que estamparam a Playboy nas décadas de 80 e 90, podemos dizer que ela é um exemplo de sua geração que curtiu muito a vida, casou tarde, teve a filha mais velha e tem vivido seu envelhecimento de forma saudável.

A pergunta que fazemos é a seguinte: é justo que a sensualidade permaneça nos dias atuais, em que superamos tantas doenças e contamos com tanta tecnologia, uma dádiva reservada apenas para corpos jovens? Justo quando já resolvemos e superamos tantos traumas e descobrimos a melhor forma de viver, parece que o mundo sexy só quer conversar com pessoas que tenham até 30 anos.

Ainda hoje, parece não ser sexy o corpo de uma mulher ou de um homem com mais de 60 anos. A não ser que tenha passado por muitas plásticas ou que seja “sarado” um esteriótipo que tem se perpetuado a séculos. Mas os números desmetem essa farsa quando a realidade é de fato vivida entre 4 paredes.

Começando pelo mito que os idosos não consomem tanto quanto os jovens. Só no Brasil, segundo matéria publicada no site da CNN com dados da Data8, a economia prateada que é tudo que é consumido — produtos e serviços — por pessoas com 50 anos ou mais, movimenta R$ 2 trilhões ao ano no Brasil, e pode dobrar em poucos anos.

No mundo, esse mercado já gira US$ 15 trilhões ao ano, mais que o PIB da China. Portanto nem dá mais para considerar o publico 50+ como um nicho considerando que já representa mais de 30% dos consumidores da base de clientes de todos os setores.

Em 1945, o Brasil tinha apenas 200 mil aposentados. Segundo o último Boletim Estatístico da Previdência Social, o número de benefícios pagos em novembro de 2022 — incluindo aposentadorias, auxílios e pensões — superou os 37,5 milhões. Isso considerando apenas os beneficiados pelo INSS.

Porém ainda há muitos idosos em atividade no Brasil, cerca de 7 milhões de trabalhadores no Brasil tem mais de 60 anos. E a força de trabalho no país deverá ficar cada vez mais nas mãos de quem é experiente. Uma projeção da Fundação Getúlio Vargas mostra que, em 2040, 57% dos trabalhadores terão mais de 45 anos.

Eles também querem prazer

O consumo de produtos eróticos é um fenômeno que tem ganhado cada vez mais espaço na sociedade. Antes de considerados tabus, esses produtos agora são vistos como uma forma saudável e natural de explorar a sexualidade.

E esse interesse não se restringe aos jovens. Pessoas acima de 50 anos também estão cada vez mais abertas a experimentar produtos eróticos e aproveitar os benefícios que eles oferecem.

De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de pesquisa de mercado Technavio, o mercado global de produtos eróticos deve crescer a uma taxa anual composta de cerca de 7% entre 2020 e 2025. Esse crescimento é impulsionado, em parte, pelo aumento da demanda de consumidores acima de 50 anos.

Embora ainda haja um certo estigma em torno do consumo de produtos eróticos por pessoas mais velhas, muitos especialistas afirmam que esse comportamento é completamente natural. Afinal, a sexualidade é uma parte importante da vida humana e não deveria ser limitada por questões de idade.

Segundo uma pesquisa realizada pela empresa de brinquedos eróticos LELO, cerca de 70% dos entrevistados acima de 50 anos afirmaram que gostariam de explorar mais a sua sexualidade. Além disso, 53% disseram que já haviam experimentado produtos eróticos pelo menos uma vez na vida.

Os produtos eróticos mais populares entre esse grupo incluem vibradores, lubrificantes, jogos eróticos e fantasias. Esses produtos podem ajudar a melhorar a vida sexual das pessoas, oferecendo novas formas de prazer e ajudando a superar questões como a disfunção erétil e a secura vaginal.

Os vibradores, em particular, são cada vez mais populares entre pessoas acima de 50 anos. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de brinquedos eróticos We-Vibe, 50% dos entrevistados com mais de 60 anos afirmaram que usavam vibradores regularmente. Além disso, 91% disseram que o uso de vibradores ajudou a melhorar a sua vida sexual.

Mas por que esse aumento no consumo de produtos eróticos por pessoas acima de 50 anos? Há várias razões que podem explicar esse fenômeno.

Em primeiro lugar, o aumento da expectativa de vida significa que as pessoas estão vivendo mais e mais saudáveis. Isso significa que há uma maior disposição para experimentar novas formas de prazer e explorar a sexualidade em todas as idades.

Além disso, muitos especialistas afirmam que a geração Baby Boomer, que agora está chegando à terceira idade, sempre teve uma atitude mais aberta em relação à sexualidade. Essa geração cresceu durante a revolução sexual dos anos 60 e 70 e, por isso, é mais propensa a experimentar e explorar a sexualidade em todas as idades.

Outro fator que pode estar impulsionando o aumento do consumo de produtos eróticos por pessoas acima de 50 anos é o aumento da disponibilidade desses produtos. Antes de considerar tabus, esses produtos agora são vendidos abertamente em muitas lojas e online. Isso torna mais fácil para as pessoas adquirirem produtos eróticos e experimentarem o conforto de suas próprias casas.

Oportunidade

Alguns empreendedores do mercado erótico já se atenaram para essa tendência e tem ganhado não só mais no fluxo de caixa como também em notoriedade.

Um exemplo é a varejista online de brinquedos eróticos australiana Wild Secrets que está incentivando os maiores de 65 anos a abraçar seu prazer, promovendo um desconto de 20% no cartão para idosos em seus produtos.

A campanha ‘Better with Age’, da The Royals, faz parte da missão da marca de normalizar o prazer sexual, demonstrando (não literalmente) que os brinquedos eróticos são tão relevantes para os maiores de 65 anos quanto para qualquer outra pessoa.

Com o objetivo de subverter as suposições de idade da sociedade sobre como é a vida depois dos 65 anos, a campanha é apoiada por uma pesquisa com 500 australianos (com mais de 65 anos) que descobriu que 1 em cada 3 (33%) das pessoas com mais de 65 anos já se sente confortável usando ou discutindo sexo brinquedos.

A pesquisa também revelou que mais da metade (53% das mulheres com mais de 60 anos e 55% dos homens com mais de 60 anos) concorda que os brinquedos eróticos podem ajudar a maximizar o prazer sexual na vida adulta.

Adam Lea, gerente de marketing da PHE International, diz ao portal The Drum: “Em uma época em que a positividade sexual está em ascensão, o envelhecimento e o prazer sexual continuam sendo uma área proibida. Pessoas com mais de 65 anos são extremamente sub-representadas quando se trata de sexo – em documentos de saúde, cultura popular e publicidade – e muitas vezes representadas por uma lente etária”.

A campanha está sendo veiculada na mídia tradicional, que “ainda é adotada pelos australianos mais velhos”. Inclui OOH, BVOD e impressão, incluindo jornais locais.

A campanha começou com um catálogo de pedidos por correio de 16 páginas, com recomendações de brinquedos acessíveis e conteúdo educacional aprovado por sexólogos, e um desconto de 20% para todos os titulares de cartões de idosos australianos.

Autor Julianna Santos

Relações Públicas, atuante em assessoria de imprensa e gestão de conteúdo para internet. Pós graduada em Educação Sexual pelo ISEXP – Instituto Brasileiro de Sexualidade e Medicina Psicossomática da Faculdade de Medicina do ABC, atendeu a várias empresas e profissionais do ramo erótico de 2002 até atualidade, estando inclusive a frente da sala de imprensa da Erótika Fair de 2002 a 2010. Também é certificada em Inbound Marketing pelo HubSopt Academy.

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